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O VALE DE ONO

| 03/02/2013 | 0 Comentários

O VALE DE ONO

Ne 6.2

Pastor Antonio José Azevedo Pereira

Pastor Antonio José Azevedo Pereira

A Bíblia Sagrada apresenta as mais variadas figuras para retratar uma realidade, princípios e verdades. A palavra “vale” é uma delas. O dicionário a define como uma “depressão alongada entre montes ou quaisquer outras superfícies, ou ainda como uma espécie de planície à beira de um rio”.

Todavia, a palavra “vale”, dentro do contexto bíblico, geralmente representa o estado ou a visão do mundo ao nosso redor e a nossa situação em relação a este. O “vale” pode ser uma referência simbólica ao sofrimento e às lágrimas (Sl 84.6), ao descanso (Os 2.15), aos tempos de lutas e decisões (Jl 3.14) à restauração (Ez 37. 1-14), à morte (Sl 23.4), etc.

O Vale de Ono localizava-se em uma ravina conhecida como Vale dos Artífices (Ne 11.35), a 30 Km de Jerusalém, e o seu nome hebraico significa “forte”. Do nome deste vale emerge referências marcantes do período da reconstrução dos muros de Jerusalém por Neemias.

Este vale é uma referência simbólica a um lugar onde o inimigo prepara ciladas fatais e ocultas para atrair e destruir àqueles que estão fazendo a obra de Deus. Todos aqueles que estão em cargo de liderança, assim como Neemias, precisarão de coragem, fé e discernimento para entender que não devem jamais descer ao Vale de Ono, pois do contrário, dificilmente haverá outra oportunidade para recomeçar e terminar a tarefa que lhe foi confiada.

O capítulo seis do livro de Neemias nos mostra os momentos cruciais do término da reconstrução dos muros de Jerusalém. Apresenta a conspiração para surpreender e intimidar Neemias e o convite para descer ao Vale de Ono.

         É à luz desse texto que eu quero compartilhar com o nobre leitor algumas verdades quanto à reação do líder diante do convite para descer ao Vale de Ono.

 Primeira – Quem está fazendo uma grande obra não pode parar ao ouvir voz da oposição (ne 6.3).

As predições dos adversários gratuitos dos judeus era que o projeto de reconstrução dos muros de Jerusalém fracassaria. Sambalate, Tobias e Gesem estavam por certo armando contra Neemias. Queriam atraí-lo para o Vale de Ono para alguma cilada, na certa. Ou iriam tentar contra a sua vida, ou suborná-lo para que deixasse a obra, ou ainda, surpreendê-lo com uma armadilha da qual não poderia se livrar, trazendo a desgraça para o povo que confiara nele.

A perfeita noção de prioridade que Neemias dá ao seu trabalho, e a identificação que faz da grandiosidade da obra que está realizando são o que o leva a dizer “não” cheio de autoridade e confiança em Deus ao convite para descer ao Vale de Ono. Na verdade, quem está envolvido na realização de uma obra para Deus, engajado em seus esforços, objetivando alvos nobres e elevados na igreja ou em suas atividades, não pode descer ao Vale de Ono, pois do contrário, a obra vai cessar.

A igreja, os membros dela, os pastores, todos sofrem com o pequeno instante em que descemos daquilo que fazíamos para glória de Deus e nos ombreamos com os “Sambalates”, os “Gesems” e os “Tobias” da vida. Estamos fazendo uma grande obra, estamos trabalhando em coisas altas e não poderemos descer para rastejar com aqueles que se opõem à realização dos projetos do povo de Deus.

 

 

Segunda – Em seus esforços para deter a obra de Deus a oposição centraliza seus ataques no caráter do líder (ne 6.1,2).

Embora a reconstrução dos muros de Jerusalém fosse um trabalho formidável de equipe, congregando praticamente toda a população de Judá, os seus inimigos de Samaria desprezavam completamente este esforço. Mais de 40 líderes, com suas casas, familiares, servos e amigos estavam se dedicando à obra, com denodo e integração, mas mesmo assim, os inimigos zombavam deles.

Sambalate, Gesem e Tobias, governadores das demais províncias próximas, principalmente da região de Samaria, e que desde o início vinham se opondo à reconstrução da nação de Israel, primeiramente com o templo e agora com os muros, se reuniram para analisar o que estava acontecendo, e vão tentar impedir a continuidade da obra. No primeiro momento, zombam do esforço do povo. Num segundo momento direcionam seus ataques ao caráter do líder.

Sambalate e Tobias estavam desesperados. O muro estava edificado e não havia mais brechas, faltando apenas algumas portas para conclusão da obra, e seus esforços para deter a construção estavam fracassando. Então eles tentaram uma nova abordagem, centralizando os seus ataques no caráter de Neemias. Eles o atacaram pessoalmente com boatos (6.6), engano (6.10-13), e falsos relatórios (6.17). Os ataques pessoais ferem, e quando a crítica é injustificada, é fácil se desesperar.

Quando você estiver empenhado em fazer a obra de Deus, poderá receber ataques contra o seu caráter. Siga o exemplo de Neemias confiando em Deus para realizar a tarefa e ignorando os insultos injustificados. O líder deve está preparado para ser atacado várias vezes, porém, jamais deve mudar a sua posição quanto à orientação que Deus lhe deu (Ne 6.4,5).

 

Um líder chamado por Deus para uma grande obra deve evidenciar em seu caráter alguns aspectos fundamentais. Dentre eles gostaria de citar pelo menos quatro (Ne 6.11):

 

1. Coragem. A resposta inicial seguida de uma pergunta para o profeta Semaías, evidencia isso no caráter de Neemias. Um homem que o Senhor estava com ele e enfrentava com destemor os seus inimigos não iria fugir diante dos seus inimigos.

2. Humildade. Reconhecimento do seu estado falível de pecado, razão que o impediria de adentrar na parte do templo, onde só os sacerdotes entravam após sessões próprias de purificação, além disso, os intrusos (não sacerdotes) e os eunucos seriam executados. Neemias não era sacerdote para se esconder no templo (Nm 18.7,22; Lv 21.17-20,23; Dt 23.1).

3. Resolução. Neemias não ficou titubeante, pensando se devia ou não fazer o que lhe aconselhava o profeta. Mas, simplesmente, com claro discernimento percebeu a cilada que lhe estava sendo armada, e com segurança declarou logo: “De maneira nenhuma entrarei”.

4. Maturidade Espiritual (Ne 6.12). Neemias discerniu entre a voz de Deus e falsa profecia. Isso foi primordial no processo de restauração dos muros de Jerusalém.

 Terceira – Quem está fazendo uma grande obra sofrerá oposição dos de casa e não terá apoio integral para realizá-la (ne 6.10-13).

Sambalate tinha um talento natural para criar dificuldades. Tobias, todavia, tinha um poder de fogo muito maior. O prestígio de Tobias havia sido forjado em bases fraudulentas. As motivações do seu coração visavam apenas seus interesses pessoais em detrimento da obra de Deus. Tobias tinha laços de família com oficiais, operários e até com o clero de Jerusalém. Tobias tinha se casado com a filha de Secanías um nobre (Ne 3.29;Ed 2.5). Conseguiu também casar o filho Joanã com a filha de Mesulão (Ne 3.4,30), o qual reparou duas seções da muralha da cidade. Tobias tinha contatos capaz de manipular outros em proveito próprio. Esses informantes abasteciam Tobias de informações para que pudesse se opor a Neemias com maior eficácia.

Neemias por outro lado, não teve o apoio integral dos judeus. Alguns disseram que a obra não seria realizada. O trabalho era muito grande e os problemas imensos (Ne 6.15). Neemias teve que enfrentar a ferrenha oposição daqueles que não tinham o mesmo propósito que a maioria do povo (Ne 6.10,14,17). Um princípio que devemos atentar é o seguinte: Quando o inimigo não consegue nos derrubar com suas artimanhas através de terceiros, ele traz o problema para dentro de nós mesmos (Tentações, sentimentos de insuficiência, etc). Isto no aspecto individual.

No entanto, da mesma forma, quando ele não consegue nos destruir no aspecto coletivo, através de ataques vindos de fora, ele arma ciladas dentro da nossa própria casa, dentro da própria igreja (Mt 10.36). Era isso que estava acontecendo com o novo Israel. As ciladas dos inimigos não deram certo para a obstrução da obra, pois o povo estava unido e se dispunha para o trabalho. Diante disso, o enganador parte para outra estratégia, dentre aquelas que ele muito bem sabe armar.

Quarta – Quando Deus está envolvido em um projeto os inimigos são obrigados a reconhecer que ele é quem faz a obra (Ne 6.16).

 

E sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito a seus próprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra”.

O reconhecimento merecido advém do fato dos próprios inimigos terem entendido que a obra realizada por aquele povo despreparado para tal advinha do auxílio e da mão do Senhor Deus todo poderoso, que sobre eles operara de forma especial.Enquanto Neemias e os judeus se regozijavam, os inimigos estavam arrasados e com a autoestima destruída, visto que tiveram que reconhecer que foi uma realização divina (Sl 118.23).

Quinta – Somente um líder chamado por Deus com fé, coragem e desprendimento, poderá desfazer a influência de uma liderança desleal (ne 6.17).

Esse versículo demonstra que muitas pessoas em Jerusalém estavam ligadas a Tobias por juramentos de lealdade. Ele as tinha, portanto, em “suas mãos”. Amados irmãos. O que realmente nos potencializa para enfrentar toda influência de deslealdade é a oração (Ne 6.9). “Porque todos eles procuravam atemorizar-nos, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e não se efetuará. Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos”.

Sabedor da oposição que estava enfrentando por parte dos conterrâneos governadores de outras províncias, Neemias responde com autoridade, toma as providências cabíveis para vigiar e controlar a continuidade da obra, mas também recorre a Deus em oração. Sempre que a tentação se levanta contra nós somos tentados a orar da seguinte forma: “Senhor, tire-me dessa situação”. Mas Neemias orava pedindo forças.

Permitam-me concluir,aconselhando a todos aqueles que estão fazendo a obra de Deus, para que rejeitem o convite para descer ao Vale de Ono. Nunca permita que o tamanho de uma tarefa ou o tempo necessário para fazê-la venha impedi-lo de realizá-la. Estamos fazendo uma grande obra, estamos trabalhando em coisas altas e não poderemos descer para rastejar com aqueles que se opõem à realização dos projetos do povo de Deus.

 

 

Em Cristo Jesus e porque Ele vive!

 

Pr. Antonio José Azevedo Pereira.

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Category: Notícias

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Sobre o Autor (Perfil do Autor)

Carlos Castro é Historiador, Artista Plastico e diretor do Portal JVD. Além de funcionário público também é presbítero da IEADTC em Messejana.

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