Busca pelo poder: fragmentação das instituições

Pr. Jecer Goes Líder do Ministério Canaã da Assembleia de Deus no Brasil.
Pr. Jecer Goes Líder do Ministério Canaã da Assembleia de Deus no Brasil.

Nas duas últimas décadas, tem sido notório na sociedade brasileira um fenômeno que intitulo “A fragmentação e pulverização das instituições”. Atônitos, assistimos ao deslize, dizimação e a fuga de todos os valores conquistados a duras penas pela civilização. A lista começa pela família, passa pela Igreja, poderes políticos constituídos, Judiciário, serviços públicos prestados pelo Estado ou pela iniciativa privada e todo o arcabouço sobre o qual se fundamenta o pacto social a partir do bem estar coletivo. Tudo encontra-se comprometido.

Numa sociedade onde o respeito ao indíviduo não existe, nos tornamos escravos da burocracia que respalda a inépcia e disfarça ou mascara a inapetência das instituições corrompidas que não conseguem cumprir suas funções de prover o bem social comum. Sem querer cair na cantilena dos queixosos, cito exemplos onde vemos apenas a ponta do iceberg: planos de saúde particulares, saúde pública, segurança, atendimento ao cliente, direito de consumidor, transporte urbano, previdência pública e privada, Receita, Justiça… Enfim, a lista é longa.

A família, célula mater do tecido social, tem sido desmontada de forma progressiva, bem como a autoridade dos pais, tornando-se objeto de piada e tema de novela, suprimindo-a, ridicularizando-a, dando espaço à autoridade coletiva dos conselhos comunitários, onde os pais não têm autoridade para educar seus filhos. A política de gênero desmonta a ideia de uma família de pai e mãe para as famílias modernas, que podem ser apenas uma reunião de pessoas. O estímulo ao sexo na infância e puberdade, e até declarações favoráveis a pedofilia e uso de drogas são objeto de campanhas promovidas com o dinheiro público, deixando de forma inegável a percepção de um projeto de descaracterização da juventude. Esta fragmentação da sociedade civil visa consolidar um projeto de poder político, onde segmentos minoritários se sentem acolhidos e assim coonestam o poder político que lhes garantam a exceção transformar-se em norma um falso pluralismo demagógico.

A igreja evangélica, que por sua própria vocação tem a Bíblia como norma de fé e prática, omitiu-se e perdeu espaço para denominações sincretistas, que usam trechos bíblicos como forma alusiva para arrecadação dos recursos que lhes permitam a custa de incautos alimentarem seus líderes. As lideranças destes movimentos se autoproclamam bispos, apóstolos, patriarcas, verdadeiros “semideuses”. A partir de uma linguagem contextualizada, utilizam uma nomenclatura própria onde os “ungidos” traduzem o “que Deus fala” e empurram “goela abaixo” em seus seguidores cegos um caminho que lhes guiam ao abismo.

Dentro deste espectro eclesiástico, é lamentável o que homens sem escrúpulo algum estão a fazer com o rebanho do Senhor. Aproveitando-se da tendência generalizada das pessoas, que “líquidas” em suas relações e “periféricas” em suas escolhas e decisões, não sabem discernir a diferença entre o “ministro de Deus vocacionado, chamado e escolhido” e o lobo disfarçado de pastor. Elas se afeiçoam a sujeitos desprovidos de “experiência, vivência, chamado, enviado, escolhido e vocacionado por Deus para sua obra” e seguem-os, sem mensurar o prejuízo, revoltando-se e, às vezes, abandonando o glorioso Evangelho, depois de descobrirem que caíram em armadilhas, onde o “referido líder” não passa de mercenário, oportunista, vigarista e falso profeta.

Na sociedade humana deste século XXI temos visto se produzir essas variantes, esse relativismo, que facilita a desagregação de pessoas e quebra relacionamentos, quer institucionais ou sociais. Somente o retorno à pregação holística da Palavra de Deus poderá reverter esse quadro de vergonhosa capitulação moral e espiritual que tem se abatido sobre nós.

Na política, sem qualquer contexto ideológico, vemos o esfacelamento da representatividade, pois as ideias não são mais a marca dos partidos, mas os interesses que prevalecem acima da fidelidade aos ideais apresentados com o fim de conseguirem seus mandatos. Uma generalizada perda de identidade nas instituições sugere uma falsidade ideológica e desvio de finalidade que atinge indiscriminadamente o Judiciário, as instituições de ensino, os serviços públicos, onde impera a prevaricação, a propina e todo tipo de mau uso de cargo em proveito próprio. Chegamos ao fundo do poço.

A análise da civilização, por historiadores, dá conta de três revoluções ocorridas: a Cognitiva, a Agrícola e a Científica. Só que estamos urgentemente precisando de uma quarta revolução – A Revolução do Caráter –, para voltar a valorizar a ética, o respeito, o limite, a honestidade, a lealdade e a espiritualidade, pois do contrário, como nos diz Zygmunt Bauman, ocorrerá uma “Barbárie Civilizatória”. Esta pandemônica e tresloucada corrida em busca do PODER tem produzido sujeitos totalmente sem IDENTIDADE, sem PRINCÍPIOS e sem CARÁTER, onde, o que interessa mesmo é a “conquista” da posição, não importando o meio a ser usado.

O profeta Jeremias, em Lamentações 5:21, convoca o povo de Israel ao arrependimento e à uma reflexão, dizendo: “CONVERTE-NOS A TI, Ó SENHOR, E SEREMOS CONVERTIDOS. RENOVA OS NOSSOS DIAS COMO DANTES”. Somente um retorno à origem da moral, da ética e da responsabilidade espiritual e teológica poderá nos levar a um aprazível estado de paz, harmonia e comunhão com Deus. Caso contrário, seremos todos derrotados mediante nossa fragilidade mental e incapacidade de produzirmos uma consciência crítica relevante. Que o Senhor possa nos dar o livramento nos dias maus.
Maranata! Ora vem Senhor Jesus.

Carlos Castro

Postado por: Carlos Castro

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