Coluna Bíblica – Ciro Sanches Zimbordi

O que é o Milênio? (parte I)

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Pastor Ciro Sanches Zimbordi é articulista da CPADNEWS e do PORTAL JVD

Com o Anticristo, o Falso Profeta e os representantes das nações opressoras de Israel para sempre no Inferno, além de Satanás aprisionado por mil anos no Abismo (cf. Ap 19.11-20.3), o mundo terá um novo começo. Haverá mil anos de paz, justiça e prosperidade, sob o comando do Rei dos reis e Senhor dos senhores (Is 33.22). Como o próprio termo “milênio” sugere, será um período de mil anos em que a Igreja reinará com Cristo na Terra (Ap 20.4). Trata-se de uma época áurea, aguardada com muita ansiedade por Israel e pela Igreja. Se alguém pensa que os judeus estão equivocados quanto a esperarem um Reino messiânico na Terra (Lc 2.38; At 1.6), é bom atentar para o fato de que o próprio Senhor Jesus não tirou deles essa esperança. Ao ser perguntado sobre o tempo da restauração do tal Reino, Ele apenas respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1.7). Mas não é somente Israel que tem essa esperança.

A oração diária de quem ama a Segunda Vinda de Cristo é: “Venha o teu Reino”, pois hoje já fazemos parte do Reino de Deus — que implica domínio divino nos corações do seu povo e no meio dele (Mt 12.28; Jo 14.23; Mc 9.1; Cl 1.13) —, mas o Milênio será estabelecido na Terra, literalmente (1 Co 15.24-28). O Reino Milenar é também a última dispensação: a da “plenitude dos tempos”, ainda que alguns insistam em dizer que as dispensações foram “fabricadas” pelos dispensacionalistas. Um exame sem preconceito de algumas passagens bíblicas é suficiente para nos convencer de que o Senhor sempre teve as suas maneiras de tratar com a humanidade, fazendo com ela alianças que ensejaram dispensações, por assim dizer (cf. Gn 2.15-17; 3.9-24; 9.8-17; 12.1-3; Êx 20—23; Dt 28; Jo 1.17). De acordo com Efésios 1.9,10, para o Milênio convergem todas as alianças e períodos mencionados na Bíblia.

O SONHO PROFÉTICO DE NABUCODONOSOR

Nos dias do profeta Daniel, o Senhor deu um sonho a Nabucodonosor, pelo qual se resume a história dos impérios mundiais — que realmente existiram! —, a partir do babilônico, até chegar ao tempo do Milênio. Este, todavia, não será propriamente um império, e sim o Reino de Cristo. Um império prevalece pela imposição; mas, mesmo no período em apreço, Jesus não obrigará ninguém a recebê-lo como Senhor e Salvador. Tal sonho teria sido um devaneio, sem nenhuma importância no plano escatológico, caso o Deus do Céu não tivesse revelado a sua significação a seu servo Daniel (Dn 2.27-45).

O rei viu uma grande estátua. Ela tinha as seguintes características: cabeça de ouro fino; peito e braços de prata; ventre e coxas de cobre; pernas de ferro; pés de ferro e barro. E foi atingida nos pés por uma pedra cortada sem auxílio de mãos (vv. 31-34). Daniel disse ao imperador da Babilônia que ele era a cabeça de ouro; e que, depois dele, se levantaria outros dois reinos inferiores, representados pela prata e pelo cobre (vv. 36-39). Segundo a História, os dois impérios que vieram após o babilônico foram o medo-persa, fundado por Ciro, em 539 a.C., e o grego, estabelecido por Alexandre o Grande, em 330 a.C. Este, aliás, teria domínio sobre toda a Terra (v. 39).

Daniel explicou que as pernas de ferro da estátua também representavam um reino, que “será forte como o ferro; pois, como o ferro esmiúça e quebra tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrantará” (v. 40). Sabemos, pela História, que esse quarto império mundial foi o romano; este, com a sua truculência, dominou o mundo a partir de 67 a.C., numa amplitude sem precedentes. Quanto aos pés da estátua e seus artelhos em ferro e barro, Daniel explicou que se tratava de um reino dividido: firme como o ferro; e, ao mesmo tempo, frágil como o barro. O fato de esses dois elementos não se misturarem denota que o tal império (uma confederação de reinos), não se entenderia; seria um grande governo, porém dividido (vv. 41-43).

Ferro alude a um governo ditatorial, totalitário; simboliza blocos compactos; indica poder centralizado. Barro aponta para o governo do povo, democrático, republicano, formado de partículas soltas. Sabemos, também pela História, que, depois do Império Romano, surgiram alguns estados nacionalistas fortes, e outros, fracos, os quais, ao longo dos séculos vêm tentando uma grande e forte coalizão, mas sem sucesso. Haja vista a União Europeia, formada por países fortes, como Alemanha e França, e fracos, como Letônia e Lituânia.

Após ter sido atingida nos pés pela pedra cortada sem mãos, a estátua foi esmiuçada por completo. Ferro, barro, cobre, prata e ouro tornaram-se pó, e este foi levado pelo vento (vv. 34,35). A pedra, então, cresceu e se transformou em um grande monte e encheu toda a Terra (v. 35). Daniel disse a Nabucodonosor que, nos dias desses reis, Deus levantará um Reino que jamais será destruído, o qual esmiuçará e consumirá todos os outros reinos (vv. 44,45). À luz da Palavra profética, os pés da estátua, com os seus dez dedos, representam os reinos que formarão a base para a ascensão da Besta (cf. Ap 13.1; Dn 7.24,25). E exatamente os pés serão atingidos pela Pedra! O Milênio será, portanto, o último Reino mundial — literal, assim como os impérios mencionados —, que sobrepujará a todos os impérios que antes dele existiram, principalmente o do Anticristo.

Ciro Sanches Zibordi

 

Carlos Castro

Postado por: Carlos Castro

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