Emiliano e João: a saga dos “Ferreiras” no Ceará

Pr. Emiliano Ferreira e João Ferreira
Pr. Emiliano Ferreira e João Ferreira

Inicio aqui a história de vida de dois “Ferreiras”. Um é o pastor Emiliano Ferreira da Costa, o mais conhecido porque presidiu durante 23 anos a Convenção da Assembleia de Deus no Estado do Ceará. O outro é João Ferreira de Sousa, um simples agricultor, mas cheio do poder de Deus. Apesar de ambos pertencerem à linhagem de Virgulino Ferreira, o corajoso arruaceiro, chefe do cangaço no Nordeste e mais conhecido pela alcunha de “Lampião”, a valentia de Emiliano e João era em defesa da vida humana. Quer fosse pobre ou rico, quer fosse preto ou branco, não importava, pois a arma que eles usavam era a Bíblia Sagrada.

Os dois creram no Evangelho na Igreja Presbiteriana Independente, ainda em tenra idade. O primeiro em Santana do Mato de Dentro (RN) e o outro em João Pessoa (PB). O parente valentão ligado à árvore genealógica de Emiliano e João morreu novo. Ele teve a cabeça cortada e exposta em praça pública, para não deixar dúvida que sua saga de maldade havia acabado. Já os dois presbiterianos, com o passar dos anos, se tornaram assembleianos e aguardam o soar da última trombeta. A passagem bíblica em Salmos 37:23 já diz tudo, pois repousam seguros nos braços do amado Salvador a quem confiaram suas vidas de humildes servos do Senhor.

A história de João Ferreira é a que vou me deter, já que ele veio ao Ceará por volta de 1929, três anos antes que seu primo Emiliano Ferreira. Ezequias Martins Ferreira, filho de João, tinha pouco mais de dois anos quando a família se estabeleceu por dois anos no Sertão dos Inhamuns, na localidade de Riacho das Pedras. No final do ano de 1931, eles seguiram o curso da estrada carroçável passando por Santa Quitéria, Canindé, Baturité até finalmente chegar em Fortaleza. Após uma semana na capital cearense, retornaram novamente a pé até a localidade de Patos, distrito de Irauçaba (CE), naqueles dias (1932) pertencente à região de São Francisco de Uruburetama, atual Itapajé. É normal a pessoa não se lembrar do que aconteceu na fase da infância. Porém, Ezequias se recorda muito bem que no ano de 1932, já com seis anos, encontrava-se com a família na localidade de Patos, quando ele foi acometido por uma doença conhecida popularmente como “sarampo recolhido”. A enfermidade o deixou paralítico, mudando complemente o curso de sua vida e também da família.

O milagre

Era 1932 quando o pioneiro Antônio Sabino recebeu em sua casa, localizada no Sítio Santo Antônio, vizinho à Fazenda Lagoinha, em São Francisco de Uruburetama, os pais de Ezequias Martins Ferreira que chegara ali juntamente com o filho dentro de uma rede após ser conduzido por mais de uma légua. O modo como aconteceu a sua cura é para a cidade onde nasceu o pentecostalismo cearense um dos milagres mais extraordinários em seus 100 anos de história. No terceiro dia em que o obreiro José Pena Pinheiro, mais conhecido como “Japinim”, suplicou ao Deus todo poderoso a cura completa do corpo do garoto. O que aconteceu foi que o menino ergueu-se e com os próprios pés, na companhia de seus pais, caminhou de volta à cidade de Irauçaba até chegar em Patos, localidade onde residia. Atualmente, Ezequias é pastor do Ministério Canaã, e aos 87 anos, mesmo jubilado, continua servindo ao Senhor.

Passagem pela Serra do Saco Verde, Pau Alto e Caiana em Itapajé (CE)

Antes que a família se estabelecesse no Sítio Coité, propriedade da irmã Josina de Salles Bastos, por um período de 33 anos, entre 1943 e 1976, o paraibano João Ferreira residiu com sua prole em diversos lugares. A vida nômade fazia parte do plano de Deus, pois aonde ele chegava a mensagem das Boas Novas também era anunciada, e iniciava-se um ponto de pregação do Evangelho. Foi assim na serra do Saco Verde por volta de 1934, e na propriedade de um cidadão chamado Vicente José, na localidade de Pau Alto, uma das maiores serras de Itapajé. Este patrão não era evangélico, mas deu apoio aos cultos realizados por João Ferreira naquele sítio, onde desenvolvia a função de agricultor. Na Fazenda Caiana, localizada na cidade de Umirim, esteve entre os anos de 1939 a 1941. O seu proprietário era Antônio Bastos Salles. O Evangelho já havia chegado ali há um ano quando a família “Ferreira” passou a fazer parte da evangelização na localidade.

Na próxima edição, conheceremos as famílias que se formaram com os “Salles” e os “Bastos”, através do casal João Ferreira de Sousa e Francisca Martins Ferreira. Também conheceremos os pastores e missionários que ainda hoje continuam a obra iniciada em 1929 pelo pioneiro João Ferreira. O exemplo mais visível deste ardoroso ganhador de almas é visto em seu neto, o pastor Jecer Goes Ferreira, presidente da Assembleia de Deus Canaã.

Fonte: Extraído da Revista Mandamentos

Carlos Castro

Postado por: Carlos Castro

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